quarta-feira, 12 de março de 2014

Onde queria estar...

Onde eu queria estar: chegando na feira perto de casa.
Eu teria acordado tarde e iria emendar o café da manhã com o almoço. 
Caminhando pelo bairro, eu falaria um "oi" para algumas amigas da minha avó que eu encontraria pelo caminho. 
Já na feira, o rapaz que conserta panelas perguntaria pela minha mãe e pediria pra eu mandar um recado sobre uma peça que chegou.
Mais adiante eu iria avistar um primo distante, que gosta muito de conversar, mas como estaria com fome, eu desviaria dele. 
Chegaria então na barraquinha de pastel.
Estrategicamente, eu iria sentar exatamente na cadeirinha entre a banca do pastel e a banca do caldo de cana.
Pediria o pastel. 
Enquanto a mocinha estivesse fritando, eu pediria o caldo de cana na outra barraquinha.
Voltaria e ficaria sentada escutando o barulho da máquina moendo a cana e prestando atenção no óleo quente borbulando e fazendo o pastel mudar de cor.
Já analisaria todos os ingredientes do balcão, para complementar meu pastel.
Os dois chegariam quase ao mesmo tempo.
Pegaria então o pastel e colocaria muito vinagrete, pra ele ficar ainda maior.
Faminta, eu daria a primeira mordida.
Metade do vinagrete despencaria.
Na sequência, daria um golão no caldo de cana.
Com o copinho pela metade, eu teria uma ideia.
Deixaria de propósito, o copo no balcão e o rapaz do caldo de cana cairia no golpe.

Ele: "Vai um chorinho aí moça?"

Eu iria dar um sorriso, ganhar um chorinho e continuar comendo e bebendo essas maravilhas, observando o movimento das pessoas passando por ali, tomando um vento na cabeça e pensando que logo que chegasse em casa tiraria um cochilo.

Onde estou: trabalhando...