segunda-feira, 23 de junho de 2014

Interrupções de uma segunda-feira de manhã

Segunda-feira. Manhã. Sono. Tédio. Trânsito. Um pouco de falta de amor no coração. Trabalho. Emails. Certa falta de vontade. Depressão.

Um conjunto de sentimentos que muitos de vocês nunca deve ter enfrentado, mas que, por vezes, acontece comigo.

No meio dessa nuvem cinza, uma interrupção.

Mas que falta de educação fazer perguntas de trabalho no primeiro horário da segunda-feira!

Eu, particularmente acredito que essas pessoas deveriam ser processadas ou receber algum tipo de advertência no trabalho.

Isso é pior do que desligar o telefone na cara de alguém ou jogar o papel no lixo que é só para copinhos plásticos.

Interromper um momento íntimo de uma pessoa, como uma manhã de segunda-feira, é pior do que pedir um trabalho urgente na sexta-feira à tarde.

Esse é o momento em que você ainda está tentando vencer a depressão de ter que acordar cedo e vir para o trabalho.

Se convencendo de que, ao contrário de muitas pessoas, a sua vida não é um eterno Instagram, cheio de momentos leves, divertidos, serenos, de muita liberdade e vento na cabeça.

E que, por mais que você ame o que faz (ou odeie) a sua vida tem manhãs de segundas-feiras de trabalho.

Com preguiça, sem forças para realizar qualquer tipo de tarefa, você acaba entrando na internet.

Porém, este não é bem um momento de entretenimento. Esta é só mais uma tentativa de encontrar algo que lhe dê forças para chegar ao fim do dia.

Nesta busca, você olha milhares de fotos de almoços em família, passeios, jogos de futebol, festas, beijos, aniversários de casamento ou de crianças, alegria.

Vê tudo o que movimentou o final de semana dos seus amigos. 

Isso não basta. 

Todo esse movimento não tira aquela dor no corpo, aquele olho inchado, aquela voz do Seu Jorge e aquele cansaço na alma que só uma boa manhã de segunda-feira pode proporcionar.

Na busca por algo inspirador, você acaba encontrando um texto interessante, que faz com que, levemente, você sinta vontade de abrir o primeiro email de problemas para resolver.

Mas então, chega aquela pessoa fofinha e motivada, que sabe que você não está trabalhando, e interrompe tudo de bom que poderia te acontecer a partir daquele momento.

Ela vê uma foto, que está  próxima ao título do texto que você lê. Nenhum dos seus relatórios, planilhas e projetos tem uma foto daquelas. Ela sabe o que acontece. Mas ela é implacável.

"Oi.. fulana.. tudo bem? Bom dia!
Você sabe me dizer se aquele problema "X" foi resolvido?
Ouvi dizer que o tal negócio "X" está sendo realmente um problema desde a quarta-feira passada.
Queria sentar com você agora, pra ver o status disso. É possível ou você está muito ocupada?"

Em pensamento, você responde: 

"Querida pessoa inconveniente, você realmente não sabe o que eu estou fazendo?
Por que você vem entristecer esta minha manhã?
Você sabe o que é estar por alguns momento buscando um pouco de vida na internet, antes de lembrar que sou pessoa assalariada e preciso entregar tudo isso resolvido até o final do dia? Com tantos problemas no planeta, por que escolher justamente o meu para falar em uma segunda-feira de manhã?"

Então você se prepara para falar que quer mais é que o problema "X" se exploda, que vai pegar suas coisas e ir embora pra casa, que não precisa passar por isso, não!, que vai dormir, assistir sessão da tarde, brincar com seus cachorros. 

Mas aí, nesse momento, um enviado celeste (ou um computador programado mesmo), faz com que chegue um torpedo no seu celular e te faz voltar a vida:

"Sua fatura do cartão "YYXX" está fechada no valor de "R$ muitos,00". Consulte nossas opções de parcelamento." 

De repente, tudo se renova! Você abre um sorriso e sente ternura no coração. A alegria toma conta do seu espírito novamente, que a materializa através de palavras doces:

"Ah.. sim, querida pessoa! Está foi a primeira coisa que olhei quando cheguei aqui! Vou só pegar um café e já falamos sobre isso, pode ser? Prioridade total! Vamos resolver isso agora pela manhã!"

"Ok.. te aguardo!"

Com um sorriso no rosto você vai em direção à máquina de café, pensando o quanto a sua manhã de segunda-feira voltou a fazer sentido.

E então você percebe, que tudo valeu a pena...

sábado, 21 de junho de 2014

Sobre tapiocas e cuscuz para uma mulher comum.

Atualmente, tudo quanto é atriz famosa e celebrity, fala que trocou o pão no café da manhã pela tapioca light ou cuscuz de milho para ficar magra. A meta é se livrar dos tais carboidratos. 

Junto tem um tal de suco verde que limpa tudo e seca até a alma, mas o segredo é bater tudo na hora, senão você tira as energias do alimento.

Gente... assim... quero fazer uma pesquisa com todos nós seres humanos normais, ou quase. 

Já ouvi dietas bem malucas, como trocar o jantar por papinha de bebês, mas essa me deixou realmente pensativa. Acabei fazendo alguns cálculos mentais e analisando as dificuldades dessa dieta.

Entre outras coisas, pensei que, se você está em São Paulo e não mora colado com o seu trabalho, você fica muito tempo no trânsito e precisa acordar muito cedo.

Ou se tem um horário flexível, consegue acordar um pouco mais tarde, mas continua perdendo horas no trânsito.

Alguém de vocês tem realmente tempo e disposição para preparar uma tapioca ou um cuscuz de milho junto com um suco verde que precisa ser batido na hora, de manhã cedinho, antes de sair pro trabalho?

Sujar frigideira, panela, liquidificador, tudo isso antes das 6h00 da manhã?

Além disso, alguém realmente levanta disposto a trocar um pão quentinho com a manteiguinha derretendo e café bem forte, por um cuscuz de milho?

Elas ainda acrescentam que após as 18h00 não comem carboidratos.

Fico imaginando a fome do cão com que essa pessoa não acorda no dia seguinte!

E aí, ao invés de tomar um bela xícrona de leite com chocolate e um pão na chapa, ela parte para a preparação de um cuscuz de milho ou uma tapioca light, junto com um suco que tem seis ingredientes diferentes, todos, claro!, com calorias negativas. 

Não que isso seja ruim, mas que trabalhão hein?

Acordar as cinco, após quase 12 horas sem comer, preparar tudo isso, lavar toda a louça e depois encarar um ônibus lotado, um trânsito da marginal, chegar no trabalho e encontrar a colega que é magra feito um pau comendo um bolo de cenoura com cobertura de chocolate.

Acho que essas famosas são seres muito mais evoluídos do que nós, porque mesmo que você tenha alguém que prepare isso pra você, ainda assim, é preciso ter paciência, concentração e tempo. 

Imagina o seu filhinho pedindo: "Mamãe, quero levar um pão com presunto, um bolinho de chocolate e um Toddynho na lancheira!"

"Não querido... Mamãe preparou um delicioso cuscuz de milho! Você come um pouco no café da manhã, com esse suco verde que dá forças igual ao Popeye! E leva o restante na lancheira. Pra ficar bem fortão!"

Ou o seu marido acordando e dizendo: "Nossa... senti um cheiro de algo assando desde as 5h00 da manhã. Será que o vizinho esqueceu algo no forno? Apesar de que o cheiro era bom!"

"Não amor... é a minha nova dieta! Fiz com o maior carinho pra você também! Já preparei um suco verde que precisa ser tomado agora, sem açúcar e essa porção de cuscuz de milho! Você vai amar! Vai te dar a maior disposição para aquela sua reunião de três horas que começa as 8h00 da manhã!"

Enfim... sei que a ditadura da beleza está cada dia mais dura e as pessoas estão cada dia mais malucas. Mas as famosas poderiam parar de espalhar essas coisas por aí, né? Ser mulher comum já está bem puxado.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Divagações sobre a vida contemporânea. (Para saber se você é uma pessoa bacana)

Você já parou pra pensar, o que faz com que você se movimente pela vida? 

E não estou falando só do movimento físico, pois muitos podem responder: as pernas, um carro, um navio, enfim.

Estou falando sobre algo maior.

O que te inspira a dar um passo em direção ao seu sonho? 

O que faz com que você corra atrás da perfeição no seu trabalho?

Ou te mova a construir uma família de forma dedicada, uma carreira sólida e de sucesso, boas relações?

O que te faz buscar uma vida plena e feliz?

Como você deseja chegar até o seu sonho...? 

Ando refletindo sobre esse assunto e fiquei pensando que essa garra para "fazer acontecer", pode surgir como efeito de uma porção de fatores diferentes.

Existem pessoas movidas por generosidade, fé, necessidade, amor, conhecimento, ideais, coragem, esperança.

Mas também existem aquelas movidas pelo medo, por ganância, inveja, culpa, sensação de tempo perdido, insegurança. 

São diferentes vias, e isso não quer dizer que necessariamente uma seja boa e a outra ruim. Ou existam sim, fatores bons e outros ruins.

Mas na verdade, pra mim, o ponto é: E quando essas diferentes vias se encontram através de indivíduos que se relacionam de alguma forma?

Quando você é movido por algo, e esbarra em alguém, que é movido por algo totalmente contraditório ao que você acredita?

Difícil passar pela vida trilhando um caminho só seu, sem esbarrar ou ser esbarrado pelos caminhos e escolhas de outras pessoas.

Até que ponto o que te move, te alimenta e te faz agir; é algo positivo pra você, mas não se torna algo destrutivo para o outro?

Acho que em muitos ambientes, é possível ter esse contato mais direto com "vias que se cruzam". 

Se você observar bem, vai enxergar pessoas que, para atingir o objetivo ou um sonho, precisam enfraquecer as outras ou simplesmente atropelá-las.

Aquela pessoa que pode ser capaz de fazer o mundo dar até uma volta mais rápida, mas que ao invés de fazê-lo, prefere diminuir o outro com críticas ou atos, para, só assim, se sentir forte e capaz.

Até que ponto o que move o outro, não te paralisa? E até que ponto, o que te move não ferra com a vida do outro?

Enfim... não sou nenhuma filósofa (infelizmente) e essas são apenas divagações que andam perambulando pela minha cabeça. Questionamentos que eu insisto em colocar no ar. Apenas.

Além disso, me incluo nessa. Afinal todo nós, diariamente, temos que escolher se usamos o nosso ego, insegurança, orgulho e objetivos para nos fortalecer como seres humanos, ou para nos derrubar. 

Termino esse pequeno post com a pergunta agora completa:

Como você deseja chegar até o seu sonho, se mantendo uma pessoa bacana para os que estão ao seu redor?  Isso importa pra você? Afinal.. o que te move?

Eu desejo que não seja a "filhadaputice" ... 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Onde queria estar... (Das vantagens de uma piscina de hotel)

Onde queria estar: chegando agora na piscina de um hotel em um lugar paradisíaco. 

Eu estaria vestindo uma saída de praia branca, parecida com uma camisa, porém um pouco mais displicente.

Também usaria um chapéu e um óculos de sol.

A cada passo, o vento bagunçaria os meus cabelos e faria com que a saída de praia se movimentasse harmonicamente.

Durante o percurso do quarto do hotel, passando pelo caminho ao lado do bar e chegando até a piscina; eu caminharia pensando:

"Se estou em um lugar paradisíaco, porque estou indo para a piscina do hotel e não ver as maravilhas naturais?"

Mas a questão logo seria resolvida:

"Ah.. é só o meu primeiro dia de férias! Está muito calor! Vou aproveitar a piscina hoje e depois conhecer todos os lugares maravilhosos que existem aqui por perto!"

Então chegaria até as espreguiçadeiras, deixaria a bolsa no banquinho ao lado e pensaria:

"Estou afim de curtir o sol e a piscina, mas não quero molhar o cabelo, senão perco todo o trabalho que tive para hidratá-lo ontem, antes de viajar! Preciso ficar dois dias sem lavar!"

Interrompendo os meus pensamentos, o rapaz responsável por oferecer as bebidas aos hóspedes apareceria.

Ele: Olá senhora! Seja bem-vinda ao nosso hotel! Deseja alguma bebida como boas-vindas?

Eu: Oi querido! Muito obrigada! É que agora acabei de tomar café da manhã! E também, esqueci a bolsinha de dinheiro no quarto! 

Ele: É uma cortesia do hotel, senhora! Por favor, aqui está o cardápio. Há algo que a senhora deseje?

Eu: Ah.. sim.. claro! É.. hmm.. gostaria de algo leve. Pode ser uma caipirinha de frutas vermelhas, mas sem álcool, por favor!

Me olhando estranhamente, ele responderia: Claro!

Vou começar com algo leve.

Olharia ao redor da piscina e apenas uma outra família estaria por lá, formada aparentemente por um casal e três crianças. 

Eu olharia para a mãe. Nossos olhares se cruzariam e eu esboçaria um sorriso.  Ela o retribuiria.

Com o sol cada vez mais quente, eu prenderia os cabelos, seguiria até a borda da piscina e entraria pela escada. 

Delicadamente, desceria passo a passo, sem sequer movimentar muito a água.

Então eu perceberia porque não haviam outras pessoas lá dentro:

"Putaqueopariu!! Que água gelada!! Odeio água fria!!! É entrar e sair antes de morrer congelada!"

Mas fingiria naturalidade. Balançaria um poucos os braços. Jogaria um pouquinho de água na altura do pescoço, pois dizem que é perigoso um choque térmico.

"Ai.. ai... agora vou deitar na espreguiçadeira e deixar o sol me aquecer! Que renovador tudo isso!"

Interrompendo novamente os meus pensamentos, eu começaria a ouvir gritos. 

Ao olhar para o lado, avistaria as três crianças, que agora corriam loucamente em direção à piscina.

Só daria tempo de escutar o primeiro da fila: 

"Ninguém dá um pulo melhor do que o meeeeu ! BOMBAAAA!"

Então na sequência este garoto pularia abraçando as pernas, o outro viraria um mortal e a outra pularia de braços abertos.

Em menos de um minuto um tsunami haveria passado por cima de mim. 

Parecendo um pinto molhado, conseguiria abrir os olhos e enxergaria a mãe, minha cúmplice, que gritaria:

"EU NÃO DISSE PRA VOCÊS TOMAREM CUIDADOOOO ??
VOCÊS NÃO VIRAM QUE A MOÇA ESTAVA AÍÍÍÍÍ ??
VOCÊS VÃO ACABAR MOLHANDO ALGUÉÉÉMM !! 
PAREM DE PULAR!
JÁ!

Virando-se pra mim ela diria:

"Desculpa, viu? Essa criançada, é fogo! Quase te molharam né?"

Eu daria um sorriso de "tudo bem", mas o espírito da Amy Winehouse já estaria dentro do meu corpo.

Saindo da piscina, encontraria o rapaz do bar.

Ele: Moça.. tá aqui sua caipirinha sem álcool!

Eu: Sem álcool? Puxa.. desculpa, acho que eu me expressei errado! Era com muito álcool!

Ele: Eita! Tudo bem então. Vodka, saquê ou pinga?

Eu: Vodka. Mas pode caprichar!

Minutos depois a minha nova caipirinha chegaria e eu pensaria: 

Tudo bem férias.., vou enfiar o pé na jaca então!

Onde estou: trabalhando...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Coleiras Elétricas

Ando meio desatualizada sobre as novidades da humanidade. 
Então hoje, durante a conversa com uma amiga, fiquei sabendo que agora existe no mercado uma coleira elétrica para cachorros que dá choques, todas as vezes em que eles latem.
Sim! Isso já existe de verdade, apesar de parecer exagero ou que o bom senso no planeta tenha acabado.
Ela é ideal para aquele cãozinho que gosta de se expressar, latir, fazer um barulho.
Sabe aquele que fica sozinho no apartamento o dia inteiro, fica carente e por isso late?
Ou aquele que está com fome?
Ou ainda aquele que começa a latir porque algo o está incomodando?
Então.. criaram uma coleira para resolver esse tipo de "problema".
Ela é automática: latiu é choque!
Aí o cãozinho, após receber uma carga elétrica que o assusta e provoca dor, acaba percebendo que tem que ficar quietinho e volta para o cantinho. Se encolhe e fica lá pensando. 
Até se esquecer do medo, deixar a indignação tomar conta do seu corpinho novamente, latir e tomar outra bofetada do destino (ou choque mesmo).

Confesso que fiquei bem horrorizada! 

Fiquei tentando imaginar quem adota um cachorro, trata com carinho, afeto, coloca fotinhos nas redes sociais, mas o coloca nessa prisão, onde, ao menor sinal de latido, a coleira dispara uma carga elétrica, reafirmando a sua condição de prisioneiro.

"Olha amiguinho, você é muito legal, gosto muito de você e faço tudo o que posso para te ajudar, mas não pode abrir a boca, ok?
Fique quietinho e nossa relação será amigável. "

A vida fica condicionada assim:

Reclamou por estar com fome, é choque!
Latiu porque está nervoso, choque!
Se sentiu preso e latiu, choque!
Está com dor de barriga e por isso late, choque!

Aí eu fiquei pensando na tristeza desse cãozinho... 
Pensei como seria a vida, se nós também usássemos uma coleira como essa e não pudéssemos nos expressar.

Já imaginou? 

Reclamou porque é oprimido pela empresa, choque!
Foi para as ruas, para reclamar do governo, choque!
Gritou de fome, choque!
Quer brigar por seus direitos, nem que eles sejam os básicos, choque!

Caramba, como seria difícil hein?

Acho que esse negócio de ficar pensando e fazendo analogias, sempre acaba nos deixando muito confusos, mas uma coisa é certa: que triste a vida desses cães...

* Qualquer ironia do destino é mera coincidência... *