Onde queria estar: chegando agora na piscina de um hotel em um lugar paradisíaco.
Eu estaria vestindo uma saída de praia branca, parecida com uma camisa, porém um pouco mais displicente.
Também usaria um chapéu e um óculos de sol.
A cada passo, o vento bagunçaria os meus cabelos e faria com que a saída de praia se movimentasse harmonicamente.
Durante o percurso do quarto do hotel, passando pelo caminho ao lado do bar e chegando até a piscina; eu caminharia pensando:
"Se estou em um lugar paradisíaco, porque estou indo para a piscina do hotel e não ver as maravilhas naturais?"
Mas a questão logo seria resolvida:
"Ah.. é só o meu primeiro dia de férias! Está muito calor! Vou aproveitar a piscina hoje e depois conhecer todos os lugares maravilhosos que existem aqui por perto!"
Então chegaria até as espreguiçadeiras, deixaria a bolsa no banquinho ao lado e pensaria:
"Estou afim de curtir o sol e a piscina, mas não quero molhar o cabelo, senão perco todo o trabalho que tive para hidratá-lo ontem, antes de viajar! Preciso ficar dois dias sem lavar!"
Interrompendo os meus pensamentos, o rapaz responsável por oferecer as bebidas aos hóspedes apareceria.
Ele: Olá senhora! Seja bem-vinda ao nosso hotel! Deseja alguma bebida como boas-vindas?
Eu: Oi querido! Muito obrigada! É que agora acabei de tomar café da manhã! E também, esqueci a bolsinha de dinheiro no quarto!
Ele: É uma cortesia do hotel, senhora! Por favor, aqui está o cardápio. Há algo que a senhora deseje?
Eu: Ah.. sim.. claro! É.. hmm.. gostaria de algo leve. Pode ser uma caipirinha de frutas vermelhas, mas sem álcool, por favor!
Me olhando estranhamente, ele responderia: Claro!
Vou começar com algo leve.
Olharia ao redor da piscina e apenas uma outra família estaria por lá, formada aparentemente por um casal e três crianças.
Eu olharia para a mãe. Nossos olhares se cruzariam e eu esboçaria um sorriso. Ela o retribuiria.
Com o sol cada vez mais quente, eu prenderia os cabelos, seguiria até a borda da piscina e entraria pela escada.
Delicadamente, desceria passo a passo, sem sequer movimentar muito a água.
Então eu perceberia porque não haviam outras pessoas lá dentro:
"Putaqueopariu!! Que água gelada!! Odeio água fria!!! É entrar e sair antes de morrer congelada!"
Mas fingiria naturalidade. Balançaria um poucos os braços. Jogaria um pouquinho de água na altura do pescoço, pois dizem que é perigoso um choque térmico.
"Ai.. ai... agora vou deitar na espreguiçadeira e deixar o sol me aquecer! Que renovador tudo isso!"
Interrompendo novamente os meus pensamentos, eu começaria a ouvir gritos.
Ao olhar para o lado, avistaria as três crianças, que agora corriam loucamente em direção à piscina.
Só daria tempo de escutar o primeiro da fila:
"Ninguém dá um pulo melhor do que o meeeeu ! BOMBAAAA!"
Então na sequência este garoto pularia abraçando as pernas, o outro viraria um mortal e a outra pularia de braços abertos.
Em menos de um minuto um tsunami haveria passado por cima de mim.
Parecendo um pinto molhado, conseguiria abrir os olhos e enxergaria a mãe, minha cúmplice, que gritaria:
"EU NÃO DISSE PRA VOCÊS TOMAREM CUIDADOOOO ??
VOCÊS NÃO VIRAM QUE A MOÇA ESTAVA AÍÍÍÍÍ ??
VOCÊS VÃO ACABAR MOLHANDO ALGUÉÉÉMM !!
PAREM DE PULAR!
JÁ!
Virando-se pra mim ela diria:
"Desculpa, viu? Essa criançada, é fogo! Quase te molharam né?"
Eu daria um sorriso de "tudo bem", mas o espírito da Amy Winehouse já estaria dentro do meu corpo.
Saindo da piscina, encontraria o rapaz do bar.
Ele: Moça.. tá aqui sua caipirinha sem álcool!
Eu: Sem álcool? Puxa.. desculpa, acho que eu me expressei errado! Era com muito álcool!
Ele: Eita! Tudo bem então. Vodka, saquê ou pinga?
Eu: Vodka. Mas pode caprichar!
Minutos depois a minha nova caipirinha chegaria e eu pensaria:
Tudo bem férias.., vou enfiar o pé na jaca então!
Onde estou: trabalhando...