quarta-feira, 28 de maio de 2014

Onde queria estar... (Desejos de um dia de sono...)

Onde queria estar: tentando desligar o despertador que teria acabado de gritar, me chamando para um novo dia.
Eu tentaria abrir os dois olhos, mas conseguiria abrir apenas um e pela metade.
Com meio olho aberto, eu colocaria o alarme na soneca e tentaria ver como estaria o tempo do lado de fora.
Frio.
Sabendo que estava frio, eu sentiria mais frio e me enrolaria mais ainda nas cobertas.
Durante esse movimento, uma das meias de dedinho sairia parcialmente do meu pé, deixando uma parte descoberta, que ficaria com bastante frio, mas eu não teria forças pra levantar e arrumá-la.
Viraria para o lado e cairia num sono profundo de urso grande.
Dois minutos depois, o alarme, com muita euforia, despertaria novamente, me fazendo acordar com um susto.
Já me percebendo atrasada, faria um esforço tremendo e conseguiria me sentar na cama, para um período de sono intermediário. 
Sentada e com os olhos fechados, eu pensaria: 

"Acordei na melhor parte do sono, acho que eu preciso de mais 3 minutos e meio, só para descansar mais um pouquinho a mente. "

Deitaria mais uma vez.
Com um dos pés, eu tiraria a meia de dedinhos pendurada no outro.
Tentaria me acomodar, mas perceberia que, com a preocupação do horário, meu sono já teria perdido um pouco as forças.
Com os dois olhos abertos, começaria a escutar e prestar atenção nos barulhos da rua.
Me lembraria também de uma conta que eu havia esquecido de pagar.
Faria força para dormir. Era só mais um pouquinho. 
Fecharia os olhos novamente. Me reviraria na cama, e desistiria:

"Foda-se, não consigo mais dormir! Vou levantar, assim chego mais cedo no trabalho e faço as coisas que eu tenho que fazer."

Vestindo apenas um pé de meia, me levantaria e circularia pela casa, passando perto da folhinha do calendário.

"Ai que tédio.. que dia é hoje mesmo?"

Então perceberia que era o primeiro dia de férias, e eu, por esquecimento, não teria desligado o alarme do celular.

"Meu, vai ser burra assim lá na casa do chapéu! Esqueciii que hoje começavam as minhas férias!! 
Mas olha só que delícia de viver! Liberdade! Freedom! Liberté! 
Vou aproveitar que é o primeiro dia e vou dormir até as 3 da tarde! Vou arrebentar de dormir e tirar todo o atraso do sono! Agora eu posso!"

Analisando a potência do meu sono eu bocejaria e me espreguiçaria. Nada muito intenso.

No ritual de volta ao quarto, eu reencontraria a meia de dedinhos solitária jogada no chão, a pegaria, me sentaria, vestiria no pé, e como uma pluma que cai sobre um piso de concreto, eu me jogaria na cama novamente!
Deitada, com a sensação de imensidão no coração e com a esperança de um sono profundo de cinderela, eu fecharia os olhos.
Me manteria totalmente acordada. Meu coração já estaria batendo mais rápido e eu me perceberia mais acelerada do que nunca.
Viraria para um lado, para o outro, milhares de pensamentos passariam pela cabeça.
Eu insistiria, fecharia o olho.
Nada aconteceria. 

Então quer dizer que quando estou trabalhando tenho sono de urso, e agora que tenho todo o tempo do mundo não consigo mais dormir um minuto sequer?

Vida injusta... 

Após 7 minutos tentando dormir, eu perderia a paciência, levantaria e pegaria a minha listinha escrita no dia anterior sobre o que fazer nas férias.

Enfim.. vamos lá! Aproveitar as férias!

Onde estou: trabalhando... 


terça-feira, 6 de maio de 2014

Onde queria estar... (Da maneira como se usa uma pimenta)

Onde queria estar: chegando ao Mercado Municipal (Mercadão) para um passeio. 

Eu teria acordado por volta das 9h00 da manhã, sem muita fome. Teria comido apenas uma fatia de pão de forma, com um copinho de café e pensado:

"Vou aproveitar que minhas férias começaram agora e vou fazer um regime. Vou surpreender quando voltar ao trabalho. Quero chocar!!"

Então eu teria feito uma caminhada e na volta daria uma paradinha na farmácia para me pesar.

Seria surpreendida pelo maravilhoso destino, que me presentearia com 2 quilos a menos. 

Eu desceria da balança com um sorriso tímido no rosto. Olharia para os lados. Ninguém estaria me observando.

Subiria novamente para verificar se não abaixaria mais um quilo.

O destino manteria o resultado anterior.

Então continuaria caminhando normalmente, retornando ao lar, mas por dentro a alma flutuaria.

Chegando em casa, tomaria um banho rápido e teria uma ideia maravilhosa: 

"Vou comprar frutas no Mercadão e passear! Quero ver gente! Que feliz!!"

Chegando lá, perguntaria o preço de algumas frutas que pareceriam apetitosas. 

Perceberia então que um simples pêssego, custaria o mesmo que um prato feito em qualquer outro local da cidade.

Optaria por algo mais econômico e que, por estar mais magra, eu mereceria: um lanche de mortadela.

Avistaria o local escolhido para a orgia gastronômica, que ficaria no andar de cima do mercado.

A cada degrau vencido, minha fome aumentaria. 

Pensaria então que talvez um lanche já não seria o suficiente e já planejaria em mente o segundo.

As mesas estariam lotadas. 

Já em certo desespero, faminta e com apenas uma fatia de pão no estômago, eu daria uma circulada e observaria quem estaria no final do almoço. 

Estrategicamente pararia ao lado de uma das mesas. Um casal se levantaria e eu sentaria rapidamente.

Faria o pedido ao garçon.

Pouco tempo depois, meu lanche chegaria, junto com uma garrafa de cerveja.

Eu olharia várias pessoas tirando foto do lanche e postando nas redes sociais, mas nesse momento eu já estaria com o vidrinho de pimenta em punho.

Sem pestanejar ou perder tempo, eu colocaria a pimenta e daria uma mordida gigante.

3 segundos depois eu perceberia que teria errado a mão na pimenta. 

Parecendo um dragão prestes a cuspir fogo, eu pegaria um pedaço só de pão e colocaria na boca.

Não resolveria.

Pegaria então o copo de cerveja e viraria inteiro na goela para aliviar.

Com os olhos marejados de lágrimas e com o rosto pegando fogo, eu notaria um dos garçons me observando. 

Então calmamente e degustando tranquilamente uma cerveja, eu fingiria atender o telefone, sorrindo e olharia para o outro lado, fingindo não estar prestes a tacar o vidrinho de pimenta na parede! 

Onde estou: trabalhando...