Onde queria estar: chegando ao Mercado Municipal (Mercadão) para um passeio.
Eu teria acordado por volta das 9h00 da manhã, sem muita fome. Teria comido apenas uma fatia de pão de forma, com um copinho de café e pensado:
"Vou aproveitar que minhas férias começaram agora e vou fazer um regime. Vou surpreender quando voltar ao trabalho. Quero chocar!!"
Então eu teria feito uma caminhada e na volta daria uma paradinha na farmácia para me pesar.
Seria surpreendida pelo maravilhoso destino, que me presentearia com 2 quilos a menos.
Eu desceria da balança com um sorriso tímido no rosto. Olharia para os lados. Ninguém estaria me observando.
Subiria novamente para verificar se não abaixaria mais um quilo.
O destino manteria o resultado anterior.
Então continuaria caminhando normalmente, retornando ao lar, mas por dentro a alma flutuaria.
Chegando em casa, tomaria um banho rápido e teria uma ideia maravilhosa:
"Vou comprar frutas no Mercadão e passear! Quero ver gente! Que feliz!!"
Chegando lá, perguntaria o preço de algumas frutas que pareceriam apetitosas.
Perceberia então que um simples pêssego, custaria o mesmo que um prato feito em qualquer outro local da cidade.
Optaria por algo mais econômico e que, por estar mais magra, eu mereceria: um lanche de mortadela.
Avistaria o local escolhido para a orgia gastronômica, que ficaria no andar de cima do mercado.
A cada degrau vencido, minha fome aumentaria.
Pensaria então que talvez um lanche já não seria o suficiente e já planejaria em mente o segundo.
As mesas estariam lotadas.
Já em certo desespero, faminta e com apenas uma fatia de pão no estômago, eu daria uma circulada e observaria quem estaria no final do almoço.
Estrategicamente pararia ao lado de uma das mesas. Um casal se levantaria e eu sentaria rapidamente.
Faria o pedido ao garçon.
Pouco tempo depois, meu lanche chegaria, junto com uma garrafa de cerveja.
Eu olharia várias pessoas tirando foto do lanche e postando nas redes sociais, mas nesse momento eu já estaria com o vidrinho de pimenta em punho.
Sem pestanejar ou perder tempo, eu colocaria a pimenta e daria uma mordida gigante.
3 segundos depois eu perceberia que teria errado a mão na pimenta.
Parecendo um dragão prestes a cuspir fogo, eu pegaria um pedaço só de pão e colocaria na boca.
Não resolveria.
Pegaria então o copo de cerveja e viraria inteiro na goela para aliviar.
Com os olhos marejados de lágrimas e com o rosto pegando fogo, eu notaria um dos garçons me observando.
Então calmamente e degustando tranquilamente uma cerveja, eu fingiria atender o telefone, sorrindo e olharia para o outro lado, fingindo não estar prestes a tacar o vidrinho de pimenta na parede!
Onde estou: trabalhando...