Onde queria estar: chegando agora em um videokê. Antes de escolher a mesa, eu botaria reparo no tamanho da fila para cantar.
Olharia as pessoas empolgadas cantando. Outras estariam aguardando o seu momento de brilhar. Então eu pensaria:
"Eu sabia que tinha que chegar cedo aqui! O pessoal já deixou vários bilhetinhos com músicas lá!! Vou demorar mil anos pra cantar"
O garçon interromperia meus pensamentos.
Ele: Senhora, pode me acompanhar? Seus amigos já decidiram qual a mesa.
Eu: Ah, sim! Claro!
Por sorte, eles escolheriam uma mesa próxima ao rapazinho que comanda o aparelho de videokê.
Pediríamos alguns petiscos e cerveja.
Então 3 minutos após nos sentarmos, uma amiga já demonstraria certa ansiedade.
Amiga: Genteeeee! Eu AAAMOOOO Videokê!!! Já vou anotar AGOOORAA a minha música! Como é mesmo o nome daquela do Kid Abelha??? Aqueeela que é bem famosa?
Outra amiga: Qual???? Aquela que tocava na novela?
Amiga de novo: Nãão!!! Péra!!! Estou lembrando aqui... Ah!! "Fazer amooor de madruugaaada!! " Ai gente!!! Já escolhi!! Amo essa música! Qual você vai cantar, Lú?
Eu: Ai não gente.. eu não gosto de cantar em público.. tenho vergonha!
Mas pensaria:
"Farei uma performance triunfal!!! Que falta de criatividade escolher essa música! Vou arregaçar!!!"
Amiga: Aaah não!!! Eu só canto se você cantar também!!! Vamos Lúúúú!!!
Eu: Tá bom.. vou cantar uma só! Mas aí você canta junto! Não vou pagar esse mico sozinha!!!
Mas pensaria:
"Já notei que um dos microfones tem o som mais alto do que o outro... ESSE É MEU!!!"
Então colocaríamos os bilhetinhos com pedidos de música e voltaríamos para a mesa.
Perceberia então que o rapazinho que comanda o equipamento, priorizava algumas pessoas.
Comeríamos os petiscos. Acabaríamos com algumas garrafas de cerveja.
De repente a mesma mocinha, iria cantar a terceira música em uma sequência com Mamonas Assassinas, Xuxa e engataria o Latino.
Isso bastaria. A amiga aguardando para cantar Kid Abelha iria até a mesa de som e faria uma pequena baixaria.
Minutos depois, seríamos chamadas.
A amiga cantaria a música batida de videokê. Empolgaria pouco. Somente o básico.
Chegaria a minha vez. Me levantaria e após alguns passos perceberia o efeito do número de cervejas que eu havia tomado enquanto estava sentada. Já estaria no grau.
Subiria timidamente ao palco, porém com o coração de certa forma acelerado.
Cantaria um clássico da música brega. Levaria os presentes ao delírio. E ao final, sem querer terminar a performance, eu pegaria o microfone da mão do rapazinho que comanda o equipamento e finalizaria:
"Tchan.. tchan.. tududududu... páááá..."
Com a missão cumprida e sob aplausos eu sairia do palco.
A sanidade me voltaria.
Sentaria novamente na mesa e diria:
Oi gente... vamos pedir a conta? Tá ficando tarde já!
Onde estou: trabalhando...