terça-feira, 1 de abril de 2014

Uma homenagem aos pequenos detalhes

Ando com os olhos atentos ao mundo e às pessoas.
Porém, por muitas vezes, tudo isso entristece.
Vivemos em uma sociedade onde as pessoas se odeiam mais a cada dia e no fundo não sabem nem porque.
No trânsito, no trabalho, na vida social, na família.
Competitividade, ego, vaidade, dinheiro, poder, status.
Você não pode perder nunca. 
Nem que seja abrir mão para ajudar o outro.
Precisa estar acima dos outros pra ser uma pessoa bem sucedida. 
Nunca ao lado.
Se errou, tem que arrumar alguém que pague por isso. 
Não você.
Precisa ter. 
Muito.
Compra, mas já sabe que antes de aproveitar o que comprou vai ter que se preocupar com a próxima novidade do mercado. 
Precisa ter para ser.
Sempre precisa ter razão e aqui não cabe espaço para dúvidas. 
Mesmo que você não tenha certeza do que está falando.

Andei repetindo pra mim mesma uma frase, que eu não lembro o autor, mas que fala mais ou menos assim:

"Os sábios estão cheios de dúvidas.
Os ignorantes estão cheios de certezas."

É preciso ser muito generoso atualmente para dividir, para aceitar que você pode ser o melhor em cálculos, mas outra pessoa talvez seja melhor do que você em apresentações em público.
Ou que você é extrovertido, mas o outro pode ser tímido e ele não é pior por isso, é apenas diferente de você.
É preciso ser generoso para entender que você não é e nem precisa ser melhor do que ninguém. Mas você precisa ser melhor para todos!

A maioria das pessoas não parece estar muito interessada em não disputar. Acabam criando disputas internas e externas, mas não percebem que "permitir" o outro, talvez seja algo nobre.
Perceber que o mundo talvez fosse melhor com menos egoísmo e mais entrega, verdade, amizade, carinho, gratidão.

Se você analisa cada situação e reação a fundo, acaba perdendo a fé em muitas coisas. Começa entrar em uma bolha e sentindo que os caminhos se estreitam cada vez mais.

Até que aparece aquela pessoa que escutou um disco de vinil do Jorge Ben de 1975, pra te indicar uma música que tem o seu nome.
Aquela amiga que senta e fica por horas filosofando sobre a vida com você, sentada em uma mureta, tomando água e dando risada.
A sua mãe que te mostra um pote cheio de goiabinhas quentinhas ou um bolo saindo do forno.
O amigo que você não vê a tempos, mas que senta, conversa contigo e te mostra o melhor livro que poderia chegar às suas mãos naquele momento.
Aquela pessoa que ao te ver diante de um ataque, um momento de raiva, te abraça e fala: "Foda-se! Isso não tem importância!"
Ou sem perceber, você cai em um trote de 1º de abril, como você nunca mais achou que iria acontecer um dia. Já que a última vez que brincou assim, foi com 15 anos de idade.
Se sente uma tonta, cai na gargalhada e acaba rindo de si mesma!

Aí você volta a acreditar em tudo e percebe que, "apesar de..."  ainda tem gente se divertindo bastante por aqui! 

Rir, dividir, aceitar a pureza de algumas coisas, a sinceridade, tão escassa hoje em dia e acima de tudo, a alegria.

Dá pra ser muito feliz, é só prestar atenção aos detalhes.